Os domingos são longos, sempre eles, em todo final de uma
semana, eles vem e te avisam novamente: - Olá caro mancebo promissor! Amanhã
tens que trabalhar, lembra-te?
E daí o desconforto é imediato, pensas que tens que aproveitá-lo,
mas pensas também que queres descansar, uma vez que você é um maldito mandrião boêmio
que bebe todas, todos os sábados. Por fim, na maioria das vezes opto por descansá-los
e no fim chego a conclusão de que há tempos tenho a mesma visão, bem daqui onde
estou, digitando este texto. Algo de bom, admito, apesar de ser um quarto bem
bagunçado o meu, mas animador por alguns instantes, como este.
De onde estou consigo ver bem algumas pilhas de DVDs, os
novos, que ainda não levei para a Fábrica (leia-se escritório) nem todos
legíveis, só os de letras grandes – Corra Lola Corra, Easy Rider, Valsa com
Bashir, O Mágico de Oz e Blue Velvet – mais abaixo perto do chão, um belo
Tarapaca Cabernet Sauvignon, em uma garrafa bonita, ainda com as etiquetas, uma
de preço e outra da bandeira. Na parede um violão empoeirado pelo pouco uso,
algumas fotos que lembram bons momentos e cartões postais dos amigos distantes.
Ao lado da cama, no bidê, caixas de remédio me advertem que a boemia tem
limites, enquanto meus óculos de sol, bem ao lado, dizem o contrario. Acima do
bidê, atrás de mim, a janela mostra o céu, hoje tímido e sem lua.
Enfim, por falta de inspiração, motivação e pela preguiça
iminente que domina meu corpo me impedindo de escrever coisas bonitas, termino
esse texto aqui, até por que já passa da meia noite e isso indica duas coisas:
1- já é segunda-feira, 2- tenho que tomar outro comprimido.